terça-feira, 4 de agosto de 2009

Woody, tamo ae!

É, parece que o velho e pelo visto senil Woody Allen vai mesmo filmar no Brasil. Vamos pensar, então, como seriam seus dois últimos filmes (que aqui estrearam) se feitos em Pindorama.

Dois irmãos de uma família pobre querem muito comprar uma moto para se aventurar nas ruas do Rio. Moram em uma favela e levam a vida (quase) honestamente. Um deles, mecânico, trabalha numa oficina que faz clonagem de placas e manipula peças pirateadas. O outro trabalha no boteco do pai, mas sonha em ganhar a vida nos EUA, fazendo bicos. A família, muito humilde, porém, tem um tio bastante bem sucedido, que ganhou milhões sendo jogador de futebol.

Em um passeio em companhia da balconista do boteco e com um carro surrupiado da oficina do irmão, João conhece uma deslumbrante dançarina de funk, a Mulher Rabanete, que o convida para um baile em Rio das Pedras. Começam a se relacionar e fazem maravilhosos passeios de moto pela baixada. Encantados, se envolvem fortemente e sonham com o plano de ir morar juntos nos EUA. Mas para isso precisam do dinheiro das passagens e de vistos ilegais.

O outro irmão, José, começa a se viciar no jogo do bicho, mas ganha uma bela grana e tenta se mudar com sua mulher para um barracão duplex na favela vizinha. Porém, a compulsão nos jogos de azar faz com que ele perca todo o dinheiro ganho e mais um pouco, o que o coloca sob a mira da milícia local. Desgovernado, não para de beber cachaça durante o filme inteiro e começa a bater na mulher.

Desesperados, os dois irmãos tentam inutilmente se ajudar. Recebem, no entanto, uma notícia maravilhosa: o querido tio rico e jogador de futebol vai voltar ao Rio para fazer um tratamento no joelho. O tio leva a família inteira para um almoço no Porcão, todos muito felizes, apesar da clara tensão dos sobrinhos. Ao fim, leva os sobrinhos para conversar na praia e pergunta qual o problema. Eles expõem a situação, o tio entende, mas diz que eles devem ajudá-lo também, pois sua reputação está em risco. Conta, então, que se envolveu com um travesti na Barra da Tijuca e que os sobrinhos precisam dar um sumiço nele. Os sobrinhos ficam apavorados, primeiro se negam, mas afinal consentem.

O tio os leva em uma zona para conhecer o travesti, eles marcam bem a cara e outros atributos da “moça” e traçam um plano. Não sem antes se assustarem e perguntarem ao tio como diabos ele confundiu aquilo com uma mulher. Se olham desconfiados, mas logo o tio dá um bronca e diz que o crime deve ser realizado. José, no entanto, fica nervoso, diz que vai desistir e começa a usar drogas mais pesadas e beber cada vez mais. Lembre-se: não há nenhuma cena que os irmãos não estejam bebendo muita cachaça. João, ganancioso, nega-se a aceitar as fraquezas do irmão e o incita a cometer o homicídio. Para tentar deixar as coisas naturais, a melhor estratégia que pensam é injetar uma seringa infectada com AIDS no pobre coitado. Falham na primeira vez, mas na segunda tentativa conseguem injetar o vírus, o que obriga o travesti a se calar para não se expor e perder os clientes.

José, o irmão que passa o filme inteiro com um copo de pinga na mão, caso vocês tenham se esquecido, enlouquece e começa a delirar. João, pelo contrário, fica com a consciência tranquila e segue apaixonado pela Mulher Rabanete, conhecendo inclusive seus pais. A loucura e sentimento de culpa de José passam a ameaçar João e o tio, no entanto. A solução encontrada pelos dois é a do assassinato. João titubeia por um minuto, mas decide cometer o fratricídio. Leva-o para andar com a moto de estimação na baixada, mas acaba se desgovernando em um quebra-molas mal sinalizado e os dois morrem no local.

(o próximo filme vem no próximo post)

3 comentários:

Anônimo disse...

Adoro quando vc escreve sobre filmes!

Helô disse...

Adorei a participação mais que especial da travesti. Só acho que diante da situação trágica, ela deveria ter um nome, algo como Hannah Iohanson VAllen (apenas uma sugestão). É uma questão de reconhecimento, saca?, e vc ainda conquista o público LGBTTI... (hehehehe). Bjkas.

M disse...

Sabe que eu nem lembro desse filme direito, foi completamente insignificanete na minha vida, o tipo de filme que me faz questionar a máxima "vou ver porque afinal é W.A.". Já do último eu gostei. Um pouco excessivamente caricato e repetitivo, mas interessante - uma declaração de amor (humor?) à NY e a seu ateísmo-liberal. Escreve mais, A.!