terça-feira, 11 de agosto de 2009

Ainda tamo ae, Woody!

Continuando o último post... Idéias para o Woody Allen filmar no Brasil

Duas americanas vêm para o Rio passar o verão. Uma delas, a mais certinha e careta, estuda Niemeyer no mestrado e gostaria de ter contato com a cultura brasileira de um modo mais profundo (“não podemos conhecer os lugares apenas pelos livros, é preciso sentir na pele as emoções do país”, diz ela, num rompante, em uma cena com sambistas seminuas ao fundo), a outra, mais maluquinha e com um busto significativamente avantajado, vem pela curtição e porque está muito indecisa na vida (“este país é uma loucura!”, diz ela numa cena de biquíni na praia fumando um baseado com uma galerinha surfista).

Hospedadas no Leblon, na casa de uma família conhecida, passam seus dias andando por Copacabana tomando água de coco, comprando havaianas em Ipanema, passeando de bondinho pra chegar a Santa Tereza, onde frequentam barzinhos super descolados com um pessoal artista plástico. Vão também para Niterói, em uma bela cena nas barcas, em que observam a silhueta do Rio e milagrosamente chegam diretamente no MAC (“esse é um dos mais importantes prédios do arquiteto Oscar Niemeyer”, diz a certinha para a moça de busto avolumado, que pega um sol de biquíni no chão de concreto enquanto olha para a Baía).

No entanto, é em uma louca noite na Lapa que o destino das duas parece selado. Um pouco bêbadas e muito sorridentes, as amigas começam a se perder e são abordadas por dois meninos de rua. Não entendem direito a situação e começam a puxar papo com os rapazes, mas logo percebem que estão em uma furada. Quando estão quase sendo assaltadas, eis que aparece um jovem moreno de roupa branca e chapéu de malandro, interpretado pelo Rodrigo Santoro, espanta os meninos e convida as moças para um drinque. Elas aceitam, se entreolham maliciosamente e seguem para um boteco. Ele canta sambinhas clássicos, recita uns versos e tira um violão de sei-lá-onde para tocar uma música do Chico Buarque. (A moça certinha fala, muito feliz pelo seu conhecimento espantoso de brasilidades: “Isso é Chico!”) De lá partem para o Democráticos e se admiram com a ginga do malandro. Ao tentar dançar, no entanto, são uma desgraça, e ouvem piadas sobre o fato de serem gringas e não terem nenhum molejo. A moça de busto enorme, ainda em trajes de banho pois havido ido à praia antes, no entanto, chama a atenção de todos com o seu balançar literalmente desgovernado.

Saem de lá já amanhecendo e são convidadas pelo malandro para passar um final de semana em Paraty. Elas aceitam, se entreolham maliciosamente e seguem para Paraty. Lá, passeiam pela cidade, andam de barquinho, conhecem bares superdescolados e pessoas muito bacanas e moderninhas. Mas tudo com aquele ar de cidade pequena, sabe como é. São apresentadas ao pai do Rodrigo Santoro, um artesão local, e acham o homem super roots. O pai vira pro filho num canto e comenta sobre o tamanho realmente avultado do busto da moça mais maluquinha, que se encontrava de biquíni depois de ter caído n’água. Os dois riem com uma cara de “ih, tá no papo!”. Rodrigo Santoro tenta convencer as duas moças a dormirem com ele. Elas se entreolham maliciosamente, mas não aceitam, e ainda insinuam que isso é uma cafajestagem típica de latinos. A moça certinha – e casada –, contudo, larga seu recato e sua moral protestante e após umas caipirinhas dorme com o malando, sem dizer nada para a miguxa (alega para si, como forma de justificação, que estava fazendo pesquisa de campo). A moça de busto realmente farto, no entanto, se apaixona perdidamente pelo rapaz e eles passam a criar vínculos mais sérios.

Os dois começam a viver juntos, mas não sem antes apresentar a garota de busto espetacularmente copioso à sua ex-mulher, uma problemática dançarina de samba. Os três vivem às turras, entre cenas de briga com diálogos em português pobremente improvisados por Rodrigo Santoro e sua antiga esposa, e cenas de amor caliente, nas quais tanto a sambista muito louca quanto a moça de busto consideravelmente grande estão de biquíni, na praia ao cair do sol.

Paralelamente, vem para o Brasil o marido da moça (nem tão) certinha, um americano típico que tem certo nojinho do Rio. Ele não suporta o calor, reclama que ninguém fala inglês, é assaltado ainda no aeroporto e não aguenta nem olhar para uma feijoada. Termina almoçando todos os dias no McDonald’s e querendo saber o resultado dos jogos de baseball, enquanto pragueja alguma coisa insinuando que soccer é coisa de menininhas. A moça (nem tão) certinha começa a ficar irritada, afinal ela estuda brasilidades, e percebe que gostava mesmo era de um malandrão.

A moça de busto assaz profuso também se desilude com o Rodrigo Santoro e a sambista pirada e resolve viajar para Floripa, onde passa os dias de biquíni pensando em todas as suas duvidas existenciais. A moça (nem tão) certinha tenta se reaproximar do malandro, mas a sambista fica fula e ameaça dar uns pipocos nela. No fim, a moça do busto escandalosamente abundante volta de viagem, a (nem tão) certinha confessa tudo e elas voltam para os EUA, percebendo que essa história de livin' la vida loca só é legal nuns meses de férias de verão e nos clipes do astro brasileiro Ricky Martin.

4 comentários:

João Paulo disse...

Maravilha, Andre!

Se seus posts forem sempre nesse nível as saudades do Biscoito podem ser superadas...

Abraço.

Francisco disse...

hahahahaha, muito bom, muito bom! as cenas passaram pela minha cabeça perfeitamente...

elogio especial ao trecho: "é assaltado ainda no aeroporto"! muita ginga e malícia, mermão!

Aicha disse...

Ri horrores! exelente!

Anônimo disse...

Darling, vi esse curta hoje e FATO que lembrei de vc e da Aicha!

http://www.youtube.com/watch?v=KXPfv3BNF0I

beijo grande,
Livia.