domingo, 30 de março de 2008

Habemus crocante!

Senhoras e senhores, a nova fórmula do Choco Krispis de fato consegue manter a crocância do cereal por muito mais tempo após o contato com o leite. Nós, aqui, aguardamos ansiosamente que tal fórmula mágica seja devidamente adaptada à primeira divisão dos cereais matinais, ou seja, os Sucrilhos Kellogg’s. Essa será uma das maiores revoluções no mundo dos flocos de milho tostados desde que o venerável senhor John Harvey Kellogg, nos idos de 1884, teve a idéia brilhante de achar que trigo queimado era comestível.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Em que crêem os que não crêem?

Segundo o antigo calendário Maia o fim da História se dará em dezembro de 2012.



Peraí, os Maias não são aquele povo que achava que o conquistador espanhol Hernán Cortés, que com sua tropa ajudou a dizimar os povos indígenas da Mesoamérica, era na verdade um Deus? Ah bem.

domingo, 23 de março de 2008

Música do dia

Com alguns dias de atraso (deveria ter postado o video na Sexta-Feira da Paixão), segue um pequeno trecho desse belo oratório composto por Johann Sebastian Bach, Paixão segundo São Mateus. É, sem dúvida nenhuma, a composição que mais me emociona.

sábado, 22 de março de 2008

O encanto dos bares

“Já reparou que a esta hora da noite e a este nível do álcool o corpo se começa a emancipar de nós, a recusar-se a acender o cigarro, a segurar o copo numa incerteza tacteante, a vaguear dentro da roupa oscilações de gelatina? O encanto dos bares, não é, consiste em, a partir das duas da manhã, não ser a alma a libertar-se do seu invólucro terrestre e a seguir verticalmente para o céu no esvoaçar místico de cortinas branca das mortes do missal, mas a carne que se livra, um pouco espantada, do espírito, e inicia uma dança pastosa de estátua de cera que se funde até terminar nas lágrimas de remorso da aurora, quando a primeira luz oblíqua nos revela, com implacabilidade radioscópica, o triste esqueleto da solidão sem remédio. Se nos observamos bem, aliás, podemos principiar a entrever já o perfil dos nossos ossos, que as vírgulas das olheiras e o acento circunflexo da boca disfarçam de sorrisos melancólicos de que pendem restos murchos de ironia idênticos ao braço inerte de um ferido”.

(Antonio Lobo Antunes, “Os cus de Judas”).

quarta-feira, 19 de março de 2008

Benditas as pessoas que não sabem discar

Há uma horinha atrás eu estava saindo de casa para comprar pão, já estava do lado de fora, na verdade, chamando o elevador e fechando a porta, quando o telefone toca. Abro a porta, entro correndo e atendo. Era engano. A pessoa se desculpa, eu desligo e enfim saio. Ainda na minha rua, quando ia atravessar a primeira transversal, eis que vejo, atônito, um carro completamente desgovernado, que arrebenta aqueles fradinhos de rua, segue sem direção e pára somente quando destrói um portão de ferro do prédio da esquina.

Fico pensando o que poderia ter acontecido se eu tivesse saído de casa meio minuto antes.

Acabei não comprando o pão, e sim um croissant. Estava bom.

Uma escola

Incrivelmente a simpática e modesta escola pública madrilenha onde estudei durante quase um ano virou notícia!

La Comunidad de Madrid reconvertirá el instituto San Mateo en el primer colegio catalán

La Comunidad de Madrid reconvertirá el céntrico instituto de enseñanza secundaria San Mateo en el anunciado colegio público catalán Josep Tarradellas, que podrá abrir sus puertas con algunas reformas el próximo curso si hay suficientes solicitudes, al menos 10 por clase. Así lo ha anunciado esta mañana la consejera madrileña de Educación, Lucía Figar.


Se encuentra en la calle de la Beneficencia, en el distrito de Centro de la capital y cerca de Chueca. Imparte enseñanza desde hace casi 26 años y en él ejerce su derecho al voto el alcalde, Alberto Ruiz-Gallardón.

Continua
aqui

Ok, essa notícia não interessa a absolutamente ninguém, mas eu achei fantástico, e totalmente inusitado, e resolvi pulicar. Só pra não ficar totalmente aleatório, em breve acho que vou escrever um texto sobre minha experiência na escola.

Que saudade!

terça-feira, 18 de março de 2008

Música do dia

Ouvir a trilha sonora de Juno me faz pensar em três coisas:

- Estou ficando velho (possivelmente é a primeira vez na minha vida que isso me preocupa)
- Acho que minha juventude teria sido um pouco mais feliz em um lugar frio
- A vida poderia ser mais fácil e mais leve. Mas não é. E é muito importante se acostumar e saber lidar (bem) com isso


Segue uma música, bem fofinha (como quase todas), da trilha sonora do filme:

sexta-feira, 14 de março de 2008

Posts censurados (#100)

Esse é o centésimo post do Ritmo Dissoluto. Eu já escrevi vários textos que não publiquei aqui. Ou pensei em assuntos, mas nem me dei ao trabalho passar para o papel (monitor?). Seguem os principais temas não abordados:

- Sexo: ninguém, absolutamente ninguém vai se interessar pelas minhas opiniões sobre sexo. Não é moralismo nem nada, nem questão de preservar alguma intimidade, é só porque não há como haver interesse nisso. Acho o assunto “sexo” muito estimulante, e eu leio alguns ótimos blogs que tratam desse tema, mas se eu escrevesse sobre isso simplesmente não sairia nada de bom.

- Futebol: idem. Que diabos eu tenho pra opinar sobre futebol? Seria só abobrinha.

- Humor negro: Ou você faz humor negão o tempo inteiro ou simplesmente não faz. Se eu chegasse aqui com uma piada ou comentário extremamente cruel e politicamente incorreto, almas delicadas ficariam ofendidíssimas. No mundo do humor não há possibilidade de miscigenação.

- Assuntos acadêmicos: Já basta a faculdade e as minhas leituras e discussões diárias. Esse blog é uma fuga, inclusive de certas coisas que me agradam. Nunca escreveria aqui sobre sociologia ou filosofia (a não ser que me auxilie em algum outro aspecto), simplesmente porque não é o espaço adequado. Qualquer tentativa de “sociologizar” alguma discussão cheiraria a cerveja e azeitonas, ou seja, papo de botequim.

- Posts muito pessoais: Eu já escrevi textos longos e catárticos que achei melhor não publicar aqui. Alguns porque teriam referências tão íntimas que ficariam ininteligíveis, outros porque teriam relação direta com pessoas que lêem o blog (já escrevi textos pensando em muitas pessoas que me lêem), e isso poderia causar incômodos, tanto para mim quanto para elas. Sei que, no fundo, o mais importante é escrever, não publicar (que possui outras vantagens, claro)

- Textos diretos, ofensivos e sem sentido: Aqui vai um exemplo:
Título do post: Moptop (17/12/2007)
"Há um tempo ouço falar dessa banda. Hoje estava, não sei por qual motivo - muito possivelmente por causa da VJ Luísa - assistindo MTV e vi um trecho com eles tocando. Deus, pode uma banda de "rock" ser tão ruim? Como as pessoas gostam disso, como? Lixo, lixo."

Há algum sentido em publicar isso? Não, não há! Mas está lá, salvo na minha conta do Blogger.com.

- Diarinho: Alguns dias eu chego em casa com vontade incontrolável de simplesmente escrever sobre o meu dia, no modelo “Querido diário, hoje acordei tarde, comi macarrão, vi televisão, depois tomei sorvete – e caiu um pouco na minha roupa e na minha cama, o que vai irritar a minha mãe, porque por 'pouco' leia-se um pote inteiro e por 'cama' leia-se computador”, e coisas desse nível.

domingo, 9 de março de 2008

Auto-análise frustrada


Aqui na minha frente há o bilhete de “Bee Movie”. Segundo consta, assisti ao filme no dia 8 de dezembro de 2007. Três meses atrás. Porquê ele está aqui? Um pouco mais ao lado, uma pilha de livros. Livros que já li ou que nunca lerei. Sobre eles, folhas que cheiram a tinta barata, fotocópias do período atual, do período passado, do período retrasado... Um cd corrompido, um lápis sem ponta, uma ponta sem lápis. Uma etiquete adesiva, uma agenda de 2007 que nunca usei, um grampeador estropiado, um bilhete do metrô de São Paulo. A lâmpada da luminária está queimada há umas duas semanas. Poeira acumula-se sobre o monitor e sobre o mouse pad (que, aliás, é uma apostila, pois nunca me dei ao trabalho de comprar um).

É impressionante o quanto eu estou sem paciência e irritadiço nos últimos dias. O quanto eu estou destratando as pessoas que cruzam o meu caminho, uma por uma. Estou sem vontade de ler e de escrever, de ouvir e de falar. Na terça-feira eu fui absolutamente estúpido com um funcionário da minha faculdade. Esse foi o estopim para perceber que alguma coisa está errada. Não estou triste, não estou melancólico, não estou deprimido. A impaciência que me toma diariamente não pode ser explicada pelos problemas que normalmente eu escolheria em minha máquina de problemas (uma máquina como aquelas de refrigerante, mesmo: eu insiro uma moeda de desamparo e recebo uma lata de autocomiseração).

Mas, então, onde encontrar a explicação? Eu comecei procurando no primeiro parágrafo: nas pequenas coisas, nos pequenos incômodos. A desorganização, a sujeira, a preguiça – todos sinais de desleixo, de comodismo. Mas reparem: é apenas um sinal. Não adianta encontrar na desorganização, na sujeira e na preguiça as grandes vilãs do meu estado de espírito. Elas apenas apontam para algo mais profundo, mais entranhado. Não, também não é o desleixo e o comodismo, por mais que dizer isso seja tentador. Eles também são conseqüência, e não causa. As pessoas só são acomodadas quando estão satisfeitas, ou quando mudar dá trabalho demais. E se depois de pensar o quanto é necessário se mover continua-se na mesma, é quase certo: a posição atual não é considerada de todo incômoda.

Acho que a maioria das pessoas se acomoda e se prostra diante das situações por falta de um sentido, de uma meta. Mas eu não consigo me convencer de que me falte um objetivo. Eles existem, pelo menos a curto prazo, e são bastante estimulantes. Aliás, há muito tempo eu não tinha tantos objetivos, por pequenos que fossem, quanto agora. 2008 tem sido um ano bom, instigante, encorajador... e agora isso. Talvez passe logo. Talvez seja só uma semana ruim.

Se as coisas continuarem nesse balanço, devo fazer em breve uma nova sessão.

P.S.: Esse texto foi escrito na quarta-feira. As coisas não estão melhores.

terça-feira, 4 de março de 2008

Persepolis e Ratatouille

A maior injustiça do Oscar foi a vitória de "Ratatouille" como melhor longa de animação. O filme da Pixar é bastante divertido e charmoso, mas, no fundo, é apenas mais uma animação bem-feita. Não entendi, sinceramente, o oba-oba e as paixões que o desenho despertou. Já "Persepolis", sim, é inovador, com um roteiro brilhante e criativo, além de ser muito mais interessante e inventivo graficamente do que "Ratatouille". Mais ainda, "Persepolis" ganha evidentemente por ser um filme maduro, bem mais complexo e arrojado, que mescla comédia, drama e política de forma até certo ponto leve, mas incisiva. "Ratatouille" é previsível e linear, apesar de tentar parecer o contrário. O roteiro, que concorreu ao Oscar de melhor roteiro original, é falho (a solução para a comunicação entre o ratinho Remy e o ajudante Linguini é simplesmente desastrosa) e, tal qual um queijo suiço, cheio de buracos, além dos personagens, inclusive o ratinho protagonista, serem pouco cativantes (exceto, talvez, pelo crítico Anton Ego, que ganha muito com a voz de Peter O'Toole). Impossível falar o mesmo da adorável Marjane, de "Persepolis", assim como de seus pais e avó.

Enfim, são filmes completamente diferentes, que procuram atingir públicos distintos. Quase fico tentado a dizer que não dá para comparar. Mas dá sim, e "Persepolis" é bastante superior, pois muito mais atraente e inteligente do que "Ratatouille".

domingo, 2 de março de 2008

Princípios?

Leio no LLL que o Fernando Gabeira deve ser candidato à prefeitura do Rio, em uma coalizão entre PV, PPS e PSDB (a coluna de hoje do Merval Pereira, n'O Globo, também é dedicada ao tema).

E agora, quem diz que não vota no PSDB por princípio vai abrir mão da birra para votar no Gabeira, ou vai fazer vista grossa e escolher um candidato sabidamente pior e menos qualificado?