sábado, 10 de maio de 2008

Heráclito

A idéia do “devir heraclitiano”, plasmada na imagem de que nunca nos banhamos duas vezes no mesmo rio, pode ser perigosa. A compreensão de que as coisas estão em constante fluxo, que tudo passa, muda [e melhora] sem a necessidade de esforço e sacrifício, de vontade e dedicação, pode servir de incentivo ao conformismo. O rio pode até passar, mas a rochas ficam – durante séculos e séculos. Algumas têm de ser destruídas a força, justamente porque prejudicam o curso da água.

Excesso de otimismo pode também indicar uma certa dose de estupidez.

5 comentários:

Pedro Cazes disse...

Pois é, André, acho que isso tem a ver com Freud também. Talvez seja assim: máximas que são, de fato, muito boas, são ao mesmo tempo muito perigosas.
Um Abraço
Pedro

Chico disse...

interessante. apesar de não ser um conhecedor da idéia do devir heraclitiano, nunca pensei nessa máxima com esse sentido de que tudo melhora sem a necessidade de esforço e sacrifício. na minha cabeça o sentido era só de que as coisas mudam e ponto. um clássico caso de ignorância sábia (se é q isso existe!)!

Ticous disse...

Eu continuo achando que isso só quer dizer que tudo mudo, não necessariamente pra melhor. Você que tá procurando chifre em cabeça de cavalo.

Andre disse...

pedro: bacana você aparecer por aqui. Irônico que justamente o Freud, um mestre das "máximas", tenha dito isso, não? Aliás, essa não é outra máxima?

chico e ticous: de fato o texto permite ambigüidades. A idéia heraclitiana de movimento nada tem a ver com mudanças para melhor ou pior, sendo “apenas” a explicação dos princípios dos elementos do mundo. O que eu queria fazer evocando "O Obscuro" era simplesmente ilustrar como uma apropriação torta pode gerar conseqüências desastrosas. Se quiserem, podem ignorar o nome do Sábio de Éfeso e ficar apenas com a idéia do movimento continuado. Dá rigorosamente no mesmo.

M disse...

Sabe que eu tava pensando nisso hoje mesmo, durante o relaxamento da yoga (durante o qual eu claramente não consigo relaxar e fico pensando obsessivamente): sou uma otimista tola e inerte, até aqui de pedras!