sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Micro balanço (tardio) do Oscar - Updated

Gostei do Oscar desse ano. Dos cinco filmes que concorriam ao prêmio principal só não vi "Conduta de Risco". Dos demais, "Juno" não merecia ser indicado, apesar de ser um bom filme. "Desejo e Reparação" é um drama bem típico, bem oscarizável. Mas isso não é de todo ruim. O filme de Joe Wright é muito delicado, muito bem feito e trata com elegância e correção um tema fundamental: nossas ações e suas responsabilidades. Já "Sangue Negro" e "Onde os fracos não têm vez" são filmes excelentes, complexos, que não fazem pouco do espectador. Ao contrário de vários vencedores de Oscars anteriores, tanto o filme de P.T. Anderson quanto o dos irmãos Coen convidam a platéia à reflexão. E são obras que tratam de temas difíceis, principalmente para o público americano, afinal é os EUA e suas transformações que estão em jogo, o processo de modernização (seja na década de 1920, seja na de 1980) e as novas sociabilidades por ele engendradas. São dois dos melhores filmes da década.

De resto, o mais surpreendente foi mesmo o fato dos quatro prêmios de atuação terem sido concedidos a atores não-americanos, o que mostra uma certa flexibilidade da Academia. Dos prêmios principais, o mais injusto foi, na minha opinião, o de melhor roteiro, para Diablo Cody, por "Juno". O roteiro do filme é bom para os padrões “indie”, sinceramente, e esse padrão não é lá muito alto. O filme tem várias qualidades, mas definitivamente o roteiro não me pareceu uma delas (talvez o maior defeito). Também não entendi como "Sangue Negro" não faturou melhor trilha sonora.

*Demorou porque eu não havia ainda visto "Sangue Negro".

Update:

1. É óbvio, a trilha sonora de "Sangue Negro" nem concorreu ao Oscar porque não é original, ou seja, feita exclusivamente para o filme.

2. Alguém havia me falado que o diretor Fernando Meirelles, de "Cidade de Deus" e "O Jardineiro Fiel", mantinha um blog com textos sobre a filmagem, edição, produção e bastidores de seu novo filme, "Blindness", baseado no romance "Ensaio sobre a cegueira", do Saramago. Pois, então, o blog é imperdível: http://blogdeblindness.blogspot.com/

4 comentários:

Ticous disse...

Ganhou o Oscar um filme onde nada explode, não tem monstros ou lutas de espadas?!?! Nhaa... que fajuto.
Realmente, nossos conceitos de "filme bom" são um bocado diferentes.
E viva a diversidade!

Andre disse...

ticous: Sim, há explosões, um monstro (moral) e, bem, não há lutas de espadas, mas há uma série de trocas de tiros e de assassinatos.

João Paulo disse...

Bem lembrado, tinha esquecido de conferir o blog. Grande dica, é imperdível mesmo, uma maravilha!

Abraço.

Juliana A. disse...

Não sei se você reparou mas, apesar de não terem nenhuma relação (tirando a similaridade do título), "Sangue Negro" e o "Sangue Sábio" de Flannery O'Connor têm similaridades. Os dois retratam lugares onde o ethos vigente é o da maldade e indiferença e têm falsos profetas como personagens. Assim que eu vi o Paul Dano encarnando Eli Sunday pensei no Hazel Motes do livro.