quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Folia carnavalesca

Para quem acha que me mantive longe das festas carnavalescas, ledo engano. Eis os clássicos do samba que li nos últimos cinco dias:

O queijo e os vermes, de Carlo Ginzburg: Relato não-ficcional sobre o célebre e injustiçado carnavalescoMenocchio, autor do famoso samba-enredo que dá nome ao livro, e que conta a história da criação do mundo a partir de fontes populares e eruditas. Além de um pouco nojentas (o argumento foi de que havia muito mais vermes do que queijo), os jurados acharam as alegorias de mestre Menocchio saidinhas demais, muito moderninhas e o rebaixaram para o grupo de acesso. É considerado até hoje como um dos gênios incompreendidos do samba, comparável a Giordano Bruno e a Joana D’Arc.

Fogo morto, de José Lins do Rego: Narra a história da decadente e triste escola de samba Unidos do Santa Fé, que, devido à modernização do samba, acabou ficando para trás. O segredo do samba-enredo estava no silêncio: era necessário escutá-lo (Stendhal), mas os jurados não entenderam e retiraram todos pontos referentes a todos os quesitos, o que a fez ser rebaixada, assim como Menocchio. Alguns anos mais tarde, Nelson Rodrigues chamou esse júri de “idiotas da objetividade”.

Lisístrata, de Aristófanes: A personagem-título, reconhecida foliona feminista, fica enfurecida com a atmosfera de pegação generalizado do carnaval grego e resolve instituir uma greve de sexo. Nenhuma das partes fica satisfeita com a resolução e o clima orgiástico retorna, já que o carnaval não pode parar.

Medéia, de Eurípedes: Famosa história da passista decadente e pinguça que vê seu marido, o importante porta-bandeira Jasão, traí-la com Glauce, filha do presidente da agremiação Estação Segunda de Corinto. Irada, Medéia jura vingança e vira-casa, tornando-se passista da Acadêmicos de Atenas (a mesma que daria gênios como a duplinha mágica Sócrates-Platão e Aristóteles) e tendo um caso fugaz com seu diretor, Egeu. Medéia voltaria à fama graças a sua ilustre marchinha: Samba do Infanticídio.

Agora vou ler A insustentável leveza do ser, do Milan Kundera e Gargantua, do Rabelais (que comecei hoje – divertidíssimo). Os próximos da lista são As alegres comadres de Windsor e Henrique IV, ambos de Shakespeare. Mas e depois, alguma sugestão? Jane Austen, Charles Dickens, Swift, Joyce, Italo Svevo,Saramago? Quem?

4 comentários:

Andre disse...

Eu li ainda uma parte de “A cultura popular na Idade Média e no Renascimento”, do Bakhtin e “Divórcio em Buda”, do escritor húngaro Sándor Márai, mas falar do primeiro seria sem graça, pq o livro é de fato sobre carnaval (na Idade Média, mas tudo bem) e o segundo eu fiquei com preguiça mesmo.

m disse...

Eu nao recomendo Saramago, tô achando muito seco, muito lento e nada brilhante.

E a academia, largou os supinos?

Ticous disse...

E eu que achei que o meu carnaval tinha sido paradão...
Sem sugestões de livros. Sou burro e não consigo ler essas coisas aí. Só leio livros com figuras, tipo os do Maurício de Souza.

Em tempo: acho que eu tenho alguma coisa de dislexia. Em "Italo Svevo" eu li "Ivete Sangalo".
Sério.

m disse...

É sua imaginação literária fértil correndo solta, tiago! Como foi o carnaval em Teresópolis? Arrasou com as cocotas(?)