segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Fim de ano

Até agora há pouco estava em um bar com um amigo. Ficamos lá mais de duas horas. Durante praticamente todo o tempo observamos um casal de senhores, que também lá estava. Eles simplesmente não trocaram uma palavra. No único momento em que a senhora esboçou algum diálogo, ouviu como resposta um “quê?” do marido e abaixou a cabeça com um misto de negação e resignação. Poucas coisas me deprimem mais do que casais ou famílias que não conversam.

A questão é: eu de certa forma acho uma bobagem essa história de votos de ano novo, mas saindo do bar e caminhando para casa fiquei com vontade de desejar a todas as pessoas que conheço que elas tentem se comunicar, cada vez mais e melhor, e que sejam mais honestas consigo mesmas e com os outros. Um casal que se senta em uma mesa e não tem o que conversar (ou não tem vontade de conversar) me dá a impressão de uma vida perdida, triste e sem expectativas. Relações humanas dependem de vontade e de sinceridade, de persistência e de dignidade. Que no ano que vem possamos todos nos sentar em mesas de bar metafóricas e ter assuntos e vontade de conversar. O inferno só são os outros se assim quisermos.

Até o ano que vem.

5 comentários:

Srta. Jones disse...

E que os intervalos entre as conversas sejam regulares. Viva o papo de botequim (ou de cafeteria)! :)

Cla disse...

ooooh. how cute :p

assino embaixo.

Denis de Barros disse...

De fato não há nada mais triste que duas pessoas que vivem ou estão no mesmo lugar e que não se comunicam, seja por briga, seja por pobreza de espírito de ambos ou de uma das partes.

O fato é que as pessoas têm medo de serem sinceras consigam mesmas, pois isso muitas vezes implica que se deve passar por um túnel, um túnel muito escuro e sem certeza de luz no final dele. E por isso muitos seguem levando a vida sem comunicação e sem graça.

Talvez esse casal de senhores tenha brigado naquele dia, o que é pouco provável, já que tinham saído para beber, mas não de todo impossível. Ou talvez o relaciomaneto deles já tenha acabado há meses ou quem sabe anos, mas eles não estejam dispostos a reconhecer isso, pois é difícil, muito difícil levar a vida sozinho nesse mundo doido e grande. Por isso, talvez eles infelizmente pensem que é melhor fingirem que está tudo bem, sem comunicação nem amor, do que ficar sozinho.

Quanto a mim, fico extremamente comovido com casos como esse que você contou, André, mas receio que em 2008 isso não vai mudar. As pessoas têm medo do que há dentro delas, da vida que corre em suas veias, dos desejos, das angústias... Enfim, penso que as pessoas têm medo ora de si mesmas, ora da vida, de uma vida plena, na qual se bate de frente o tempo todo com o que há dentro de nós e o que há fora de nós - os nossos amigos, a nossa família e os nossos amores...

Denis de Barros disse...
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Anônimo disse...

vamos fazer um brinde
e feliz natal!