segunda-feira, 12 de novembro de 2007

O céu

Não sei bem o motivo, mas o céu vem me incomodando muito ultimamente. Incomodando no bom sentido, de instigar. É uma mistura estranha de medo, assombro e mistério. O céu do Rio anda muito estranho por esses dias, e eu tenho dedicado um bom tempo a ficar parado, só observando a movimentação das nuvens, coisa que nunca fui de fazer.

Aliás, olhar para cima é algo que muda completamente a sua perspectiva das coisas. Na pressa do dia-a-dia nunca olhamos para o alto, para os edifícios, para as árvores. Outro dia me dei conta de que nem o meu prédio eu sabia direito como era, porque simplesmente chego e olho direto para a portaria. Agora tenho observado muito os prédios (horrorosos, deus, como são feios os prédios), e isso dá, de verdade, uma nova visão das coisas, espacialmente falando. O céu muda de acordo com os tamanhos e as formas, as ruas ficam mais ou menos estreitas, o clima fica diferente. É muito pouco olhar só pra frente e para baixo.

Deixo aqui algumas das imagens do céu que mais gosto.










8 comentários:

andre disse...

Eu sempre tento entrar nos quadros, sentir o momento que eles retratam. Eu simplesmente fecho os olhos e procuro reconstruir a imagem, a luz, as pessoas, as roupas. E vocês, qual a atitudes que tomam na frente de um quadro?

Eloqüência disse...

Realmente é muito estranho passar a olhar "para cima" quando estamos sempre olhando em frente. Na correria do dia-a-dia e por estar cercada de prédios, tenho a sensação de que o céu está deixando de existir, pelo simples fato de observa-lo pouco.
Agora faço um exercício: na volta pra casa, sento sempre na janela, como se estivesse escorregando do banco, pois assim olho pra cima. É relaxante perceber a cor do céu entre o barulho de gente gritando e carros passando. No entanto, o incoveniente, concordo com voce, são esse predios horrorosos ("horrorosos, deus, como são feios os prédios"). E indo para o suburbio, as casas tambem!
Outra coisa boa é deitar na cama e apagar tudo, só deixando com que a lua ilumine. Extremamente agradavel. Ah, só o que estraga são os...prédios!

Denis disse...

O que me espanta não é nem muito o olhar somente para baixo e para frente, mas sim perder por completo o sentimento que traz a certeza para o coração de que o céu é lindo... O sentimento de que o céu é um dos maiores mistérios, e dos mais bonitos, mistérios sempre alcançados pela nossa vista, bastando somente olharmos para cima.

O corre-corre e as obrigações da vida urbana me fizeram perder a paixão pelo céu... Lembro-me de quando era pequeno, de como que nessa época era apaixonado pelo céu... Mas cresci, e os anos me roubaram essa paixão tão gostosa de sentir... Será que isso tem cura? Espero que sim... Tô sentindo falta do céu...

Denis disse...

Quanto a minha reação ante a uma pintura... Bem, não sou um grande admirador dessa arte, infelizmente. Penso que ainda não descobri em mim a beleza que é inerente a ela. Portanto, para um quadro chamar a minha atenção ele deve ter algo de muito mágico nele. Somente assim meus olhos brilham diante de uma tela...

O único pintor que conseguiu essa proeza foi um simbolista belga chamado Jean Delville (acho que é assim que se escreve...). Seus quadros são maravilhosos. Seus temas são sempre religiosos, com uma forte influência do Gnosticismo, se não me falha a memória. Pena que achei pouca coisa dele na internet, senão deixaria o endereço de um site bacana para vocês conferirem...

Por falar nisso, quem são os autores dessas obras que você pôs aqui, André?

andre disse...

eloqüência: o céu deixar de existir parece um bom tema para um conto fantástico, não?

A arquitetura do Rio de Janeiro é vergonhosa, uma coisa mais feia que a outra, de um mau gosto terrível. E não sei se é pior no subúrbio ou na zona sul.

andre disse...

denis: procure olhar mais para o céu, pois vale a pena. Nem que seja ali no IFCS. Sabe que o céu enquadrado pelos telhados do prédio nem fica tão feio? Parece uma pintura emoldurada. Só que ela se movimenta.

Sobre o Jean Delville, você já tinha me falado dele, acho. De qualquer forma, não sei muito bem o que penso a respeito. Só sei que me incomoda, e sempre que vejo alguma coisa dele fico com vontade de fechar a tela do computador. Não por achar feio ou de mau gosto, mas não sei porque. Acho sinistro demais, talvez.

Os quadros são de (na ordem): Rembrandt, Raphael Sanzio, Poussin, Patinir, Goya, Vermeer e Van Gogh.

Eloqüência disse...

Sem dúvidas, as fantasias dão em contos. E esse tema também.

O Denis disse o que eu queria expressar.

Quanto as pintores, também não sou grande conhecedora, mas obras de Monet, Klimt e Man Ray (fotografias) me atraem.

Ticous disse...

Também não sou um grande apreciador de quadros. Respeito muito a habilidade para criá-los e tudo mais, mas simplesmente não me enchem os olhos (rá! trocadilho do vovô!). Tenho muito isso, de fechar os olhos e imaginar coisas, com músicas.
E há uns anos eu comecei a olhar mais pro alto, e realmente os prédios do Rio são beeem feios (um ou outro ainda se salvam). Mas eu olho mais pro céu no horizonte mesmo, geralmente do ônibus ou de uma janela privilegiada.