domingo, 9 de setembro de 2007

O mundo é mágico?

Tomei gosto pela leitura lendo, essencialmente, Monteiro Lobato, Agatha Christie, história em quadrinhos de super-herói e o genial Bill Watterson e seu “Calvin e Haroldo”. Os três primeiros eu lia basicamente em Teresópolis, nas minhas férias de verão e inverno. Calvin e Haroldo, no entanto, sempre foram minha leitura urbana, de cabeceira. Sempre que eu estava triste ou me sentindo sozinho eu pegava alguma revista da dupla e passava a madrugada lendo (madrugada naquele tempo era dormir um pouco depois de onze horas). Esses personagens me influenciaram muito, mas isso é tema para um outro post. Basta dizer que até uma idade onde isso já é considerado vergonhoso eu tinha um bichinho de pelúcia de companhia. Ok, ele era uma forma de catarse, e pelo seu nome carinhoso já se pode imaginar o que eu fazia com ele: Porradinha. Mas depois falo das influências mais substantivas que os personagens do Bill Watterson me legaram, e como a sentença de Brás Cubas (do poeta britânico William Wordsworth, na verdade), “o menino é o pai do homem” é quase insofismável. O Porradinha (que era um pingüim) também merece algum espaço no futuro.

Nesse fim de semana, em uma livraria, decidi que vou me dar um presente de aniversário esse ano: o livro “O mundo é mágico”, que reúne diversas tirinhas desenhadas pelo Bill Watterson. Escrevi isso tudo para postar uma tirinha que nem é do Watterson, via um post antigo do Alexandre Inagaki. Não é, mas poderia ser, uma vez que traz uma sensibilidade tremenda – típica do cartunista americano. É, como o Inagaki mesmo diz, a tirinha mais triste de todos os tempos. A poesia e a criatividade vêm sendo enterradas continuamente em nome da verossimilhança e do determinismo: cada vez mais sentimos a constante racionalização do mundo, cada vez mais olhamos a vida de forma mais dura e “realista”, ou seja, mais amarga e mais vulgar. Uma amiga da minha mãe proíbe a filha de conversar sozinha e de ter amigos imaginários. Diz que isso não faz bem para a cabeça. Pessoas assim deveriam ser proibidas de ter contato com crianças.


p.s: a resolução ficou péssima, mas eu não faço idéia de como alterar isso. Vejam a tira com letras decentes lá no post do Inagaki.

6 comentários:

Ticous disse...

De fato, bastante triste. Mas é o que vem acontecendo. Não que eu possa reclamar, já que eu sou racional até os ossos, mas ainda assim é triste.
E eu gosto do "Calvin e Haroldo".

Ticous disse...

Ahhhh!!!!
Esqueci do Porradinha! Grande Pingüim! (mesmo que eu não o conheça pessoalmente, já que você tem medo de me convidar pra ir na sua casa)
Já rendeu até música! Ou eu acabei de inventar isso?

m disse...

Ter um amigo imaginário = viagem saudável

Bater no seu amigo imaginário = cirança problemática, fadada a transformar-se em adulto problemático que nunca saberá enfrentar e lidar com seus problemas de forma saudável

Pobre pingüim.
Pobre Calvin.
Eu queria essas pílulas, queria mesmo.

Andre disse...

ticous, eu não lembro de uma música sobre o Porradinha. Mas tenho quase certeza que uma vez eu levei ele aí pra sua casa. Aliás, se ele não tinha música foi um grande equívoco da nossa banda.

m., porquê você acha que eu hoje em dia só sei lidar com meus problemas na base do soco? Porradinha explica. Mas eu tive vários amigos imaginários ou de pelúcia com fins menos violentos. Tinha um “Tigrão”, por exemplo, aquele amigo do Ursinho Puff (que hoje em dia passaram a chamar de Pooh, como em inglês, o que soa horrivelmente), que me lembrava muito o Haroldo.

Chico disse...

adorei a tirinha, muito legal! não conheço muito do Calvin e Haroldo, mas o tema do real/imaginário sempre me chamou a atenção. costumo procurar isso mais nas músicas (adoro o conto do sábio chinês: era uma vez, um sábio chinês, que um dia sonhou que era uma borboleta...blábláblá, blábláblá...uma dúvida o perseguiu...blábláblá...se ele era um sábio chinês, e sonhou que era uma borboleta, ou se era uma borboleta sonhando que era um sábio chinês...), mas toda forma de expressar isso é válida!
parabéns pelo belo post!

obs.: quero conhecer o porradinha!!!! hahahahaha

Cla disse...

O andré foi a um show, tipo assim: ouviu música e não foi pra dormir.
Dizem que o andré até DANÇOU - não vi, mas olha que eu acredito.
O andré tinha um bichinho de pelúcia até uma idade avançada...

Deus. Meu mundo caiu...Digo, teria caído, se o andré não tivesse achado que combinava com lapa e cerveja discorrer sobre o jeito certo de ler Dostoievski - e eu não tivesse dito o jeito certo de ler O NOME do dostoievski! haha :)

E olha aqui, Ms. M! Todos os meus bichinhos de pelúcia depois de um tempo aprenderam a voar - de tanto que eu taquei os pobres pela janela quando descobria que o almoço era creme de espinafre! Foi engrandecedor pra eles, very liberating pra mim, e nem eu nem eles nos tornamos entes problemáticos...^^