sábado, 15 de setembro de 2007

Lembranças...

Acho que é o Raymond Aron que diz, em suas Memórias, que, ao reler Proust, prefere pular certas partes que lhe trazem boas lembranças, justamente para ficar com a impressão que possuía.

Essa é uma questão que vem me incomodando muito: se vale mais a pena se ater a certas lembranças, afinal, depois que algo ocorre, tudo são lembranças, não? Independentemente de essas lembranças corresponderem ou não com os fatos; ou colocar tudo isso em risco em nome de uma nova experiência, de um novo contato com aquela mesma coisa que, como sabemos, será inevitavelmente diferente, pois tudo muda com o tempo e o momento. É claro que é fácil dizer, “viva, homem, tenha coragem! Arrisque!”. Mas a vida também é o que trazemos conosco, nossos vivos e nossos mortos, nossas memórias e nossas experiências. Abrir mão da lembrança, seja ela o sorriso de uma menina, a comida de um restaurante ou uma poesia, não é, também, abrir mão do que nós somos?

UPDATE

Só agora percebi que esse post tem tudo a ver com o último. Juro que não era nisso que estava pensando quando escrevi isso aqui.

Um comentário:

Cla disse...

André.
Abrir as portas pro novo não é abrir mão de suas lembranças, é criar outras!
O ato de lembrar e relembrar é uma delícia - mas só se pode lembrar do que já passou! Não esqueça do presente e abra mão de um futuro de oportunidades pra viver lembrando de tudo que você viveu - memórias apesar de boas,for better or worse, jamais vão fazer você se sentir do msm jeito que se sentiu no momento em que elas aconteceram.

Eu garanto que você não vai estar abrindo mão de si msm, vai estar apenas continuando o processo de se construir.

Um beijinho.