terça-feira, 11 de setembro de 2007

11 de setembro

O Alexandre Inagaki (se vocês não conhecem o Pensar Enlouquece parem de ler isso aqui e corram pra lá) publicou um post sobre o 11 de setembro de 2001 contando o que ele fazia no momento do atentado. Acho que é uma questão que surge todos os anos, mas que é interessante relembrar, afinal, é sem dúvida o acontecimento internacional mais importante em décadas e décadas. Muita gente fala até em marco de uma Era. Talvez seja exagero. Mas a quantidade e a importância dos resultados deste dia (sejam eles práticos – como a invasão do Afeganistão e Iraque, a histeria coletiva em relação ao oriente – ou intelectuais – a interminável discussão sobre o ‘choque das civilizações, o papel do oriente no mundo ocidental e vice-versa) não arrefecerá tão cedo. Ainda virão os romances e os filmes, os livros escolares terão que ser atualizados... Apenas com o distanciamento histórico necessário, a partir de uma nova perspectiva, menos inflamada, poderemos avaliar a importância deste acontecimento. Seis anos não são nada.

Vou publicar o que comentei lá no Pensar Enlouquece, um pouco ampliado.

Eu estava no colégio, assistindo uma aula de matemática. Ligam para um amigo meu e dizem que a tia dele podia ter morrido em um acidente de avião nos EUA. Até aí tudo bem, essas coisas acontecem. Alguns minutos depois ligam para uma outra pessoa da sala e avisam que estava saindo fogo dos bueiros de Nova Iorque, e que a cidade inteira poderia estar em chamas. Ok, ainda é aceitável. Só no intervalo alguém que presta mais atenção nos noticiários avisa que um avião havia se chocado com o World Trade Center. Aí sim, inacreditável.

Ninguém tinha muita noção da magnitude destes acontecimentos. Eu lembro que mal sabia o que era o World Trade Center, mas pela minha idade, 15 anos, já deveria saber. (Meu deus, eu tinha 15 anos. Inacreditável como o tempo passa). Saí do colégio e fui para um supermercado que ficava ao lado, para almoçar. Não consegui. Fiquei todo o tempo olhando a tv e resolvi que era melhor ir para casa. Nunca assisti tanta televisão como naquele dia. Ficava mudando de canal o tempo inteiro, treinando meu inglês fajuto na CNN e afins. Ninguém entendia nada, ninguém sabia o que era. Só lembro que eu pensava que, pela primeira vez na minha vida, estava vendo a História ser feita na minha frente, ali, em tempo real. E isso é muito emocionante para quem sempre adorou história.

Lembro que na época eu era um leitor compulsivo do Noam Chomsky. Comprei, logo que saiu aqui no Brasil, o seu livro sobre os atentados, 11 de setembro. Levava o livrinho para todos os lugares. Olhando o livro no momento em que escrevo essas linhas encontro um artigo dele publicado n’O Globo, dois anos depois. Os assuntos são os mesmo abordados em 2007. Hoje em dia não leio mais Noam Chomsky. É incrível como a história passa e não passa ao mesmo tempo.

6 comentários:

Cintia disse...

Excelente Blog.

m disse...

Quem será essa cíntia?

Te contei que a tia Néca traduziu um Noam Chomsky? Achei impressionante. Tia Néca arrasa.

Beijo!

Ticous disse...

Lembro que esse dia (foi uma terça-feira) foi dia do meu conselho de classe e, por um espantoso acaso, eu acordei cedo. Quando liguei a tv pra ver os desenhos matinais (tão proibidos normalmente) fiquei puto ao ver um jornal sobre um acidente aéreo imbecil. Mas continuei acompanhando. E vi a história acontecendo, como você disse. Vi o segundo avião bater, pensei ser uma repetição da cena do primeiro choque, acompanhei toda a especulação da impresa acerca de acidente, apagão aéreo, falha humana, terrorismo...
Enfim, vi a história acontecendo e não precisei ir ao colégio. Isso sim foi um bom dia.

Eloqüência disse...

Desde o ocorrido, em todos os 11 de setembro relembro do meu dia e como foi receber essa notícia.
Se permite meu relato, estava na escola, também tinha 15 anos (pois é...o tempo passa!), porém numa aula de geografia sobre massas de ar (mec, mpa...) e ventos alísios, contra-alísios, barlavento....aaargh! Quando o professor soube da notícia, ficou muito agitado. Ele que sempre explicava a matéria andando rápido de um lado pro outro, dessa vez corria. E não parava de falar dos possíveis motivos e especular as consequências.
Já minha mãe se preparava pro pior. Ela estava no trabalho (no centro) e foi comprar uma micro televisão pra não perder nada.
E eu matei um laboratório de química a tarde pra assistir às notícias.
Fiquei muito indignada com a tragédia, mas também confesso que gostei de presenciar o acontecimento. Me sentia de fato na história.
Enfim: com a graça de Bin Laden não tive aula de geografia, ganhei uma tarde livre e minha mãe ficou pagando prestações de uma televisão que nunca usa!
Saldo positivo.

Cla disse...

Em primeiro lugar, de fato é incrível como o tempo passa! Eu tinha 14 anos...

Eu estava saindo de uma prova - não lembro de que! Estava quase na porta do colégio quando um gordinho que se passar por mim hoje na rua morro sem saber que passou disse que um avião tinha acabado de bater no world trade center...

Naturalmente, eu pensei o que sempre pensam quando me contam coisas do tipo: mamonas assassinas morreram e seu tio foi atropelado por um ônibus - "Pegadinha do Faustão". Devia ser boato, corrente de internet, sei lá. O gordinho não podia tá falando a verdade, vai? Avião no world trade center? Pfff...

Segui meu caminho habitual desses dias que não tinha mt oq fazer e saía cedo do colégio - passar na casa da minha tia que era do lado.
Entro em casa e tá todo mundo numa agitação louca, enfiado num quarto só e olhando embasbacado pra Tv... Entrei, joguei minha mochila no chão, sentei e olhei pra Tv. Quando olhei pra tv: puft. O segundo avião bateu na outra torre. Holy fuck! History in the making...

Como a maioria das pessoas, eu imagino, fiquei acoplada à Tv o resto do dia, assistindo CNN.
E não é que o gordinho tava falando a verdade?

Andre disse...

ticous: que dia, que dia!

eloqüência: sem pedir permissões por aqui – a casa está aberta 24h, a todos.

cla: Eu dificilmente confio em gordinhos, mas às vezes, muito raramente, eles têm razão. Idem para pessoas que usam boinas. Qualquer dia explico a minha política com relação a pessoas de boina. Sobre os Mamonas Assassinas, eu lembro que minha reação foi exatamente essa. Um amigo chegou pra mim e disse: “vi na tv que os Mamonas morreram”. E eu logo respondi: “Ah, Lucas, conta outra! Desde quando você vê tv?”. Lucas era cego.